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Desde a década de 80 quando cursava a disciplina Geração de Energia Elétrica no curso de Engenharia Elétrica na Universidade de Fortaleza – UNIFOR, já tratávamos das chamadas Fontes Alternativas de Energia, onde se enquadravam entre outras, as energias de origem:

  • Solar;
  • Eólica;
  • Geotérmica;
  • Maremotriz.

Todas essas formas de aproveitamento de energia primária para geração de Energia Elétrica, eram incipientes no mundo e quase não havia nenhuma iniciativa no nosso país, o que contrasta com o cenário atual, principalmente com respeito das duas primeiras modalidades citadas acima.

O aproveitamento da energia das ondas do mar para produzir energia elétrica, basicamente  podem ser dividido em duas categorias de sistemas:

  • De ondas – utiliza dispositivos flutuantes colocados na superfície água do mar, que se movimentam para cima e para baixo devido a ação das ondas e acionam mecanismos e sistemas que convertem essa energia em eletricidade;
  • De energia de marés – usam turbinas instaladas abaixo do nível do mar e que são acionadas pelo fluxo e refluxo das marés.

Tem-se registro de iniciativas de Geração Maremotriz no Brasil em 2012, como por exemplo, o projeto da Usina Maremotriz no Porto de Pecém, a primeira na América Latina, resultado de uma parceria da Coppe-UFRJ e Tractebel Energia (atual ENGIE) que teve apoio do Governo do Estado do Ceará.

Este projeto piloto projetado para gerar 100 kW, utilizou a categoria de geração de energia de ondas, com tecnologia inédita desenvolvida pela própria Coppe.

Através do movimento das ondas, os flutuadores ligados a braços mecânicos acionam as bombas hidráulicas que circulam a água doce em alta pressão até um acumulador, onde juntamente com o ar são comprimidos em uma câmara hiperbárica. A água oriunda do sistema de alta pressão em forma de jato equivalente a uma coluna de 400m de altura, movimenta uma turbina que aciona o gerador elétrico.

Usina de ondas no Ceará Fonte: site Casa

Mais recentemente a empresa sueca CorPower Ocean,  desenvolveu um dispositivo chamado CorPower C3, que também utiliza a tecnologia de energia de ondas. Esse projeto usa um sistema de boias interligadas que converte a energia das ondas em movimento linear, que é convertido em energia elétrica.

CorPower C3 Fonte: site Corpower Ocean

 

 

CorPower C3 Fonte: site Corpower Ocean

O CorPower C3 é considerado um dos dispositivos mais promissores para a geração de energia de ondas, devido à sua eficiência e capacidade de capturar energia de ondas de diferentes tamanhos.

No site da empresa está registrado textualmente: “Nossa tecnologia entrega mais de cinco vezes energia elétrica por tonelada de equipamento, comparado ao estado da arte anterior de sistemas de geração de energia de ondas”.     

Equipamentos desse tipo, estão instalados na costa de Portugal desde 2022, apresentando resultados satisfatórios e o objetivo da empresa é lançar o produto comercialmente no mercado até 2024.

A Geração Maremotriz ainda não tem sido utilizada em escala, provavelmente em função de outras formas de geração de energia renovável, terem tecnologias dominadas e custos atrativos. Mas se apresenta como solução sustentável de geração de energia num futuro próximo, principalmente para os países com extensas costas marítimas, como o Brasil.

A estimativa do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas é que a energia das ondas tem potencial de gerar da ordem de 30.000 TWh por ano, equivalente a dez vezes mais do que o consumo anual de eletricidade de toda a Europa.

São potenciais aplicações da Geração Maremotriz, a alimentação de ilhas e lugares costeiros remotos e desassistidos da rede de distribuição de energia, como também o fornecimento de energia para indústrias offshore, como plataformas de petróleo e gás, e atividades de piscicultura marinha.